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parasitas em peixes de aquários

parasitas em peixes de aquários

by dr fala Dr. Fala

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Provavelmente os problemas mais comuns em relação às doenças e infecções de peixes ornamentais em aquários de água doce estão associados com parasitas. Quase todo aquarista já se deparou com a surgimento de pontos brancos no corpo e nadadeiras de seus peixes, especialmente após quedas bruscas de temperatura que ocorrem com a chegada do inverno. Mas como ocorre esse tipo de infecção? E de onde ela pode ter vindo?

Os parasitas de peixes possuem variadas formas e tamanhos, sendo que os principais tipos de organismos incluem protozoários unicelulares, trematódeos (vermes chatos), cestoides (tênias), nematoides (vermes cilíndricos), crustáceos e artrópodes. Alguns desses parasitas possuem hospedeiros específicos, parasitando apenas um gênero ou até mesmo uma única espécie de peixe, enquanto outros são generalistas e tem a capacidade de infectar um aquário comunitário inteiro. Eles podem infestar o exterior de superfícies, habitar o lúmen de órgãos ou penetrarem no parênquima de vários tecidos do hospedeiro.

Esses organismos oportunistas são frequentemente inseridos no sistema após a introdução de peixes já infectados que não passaram por uma quarentena. Também podem ser introduzidos junto às plantas ou alimento vivo sem desinfecção prévia, por meio de redes e outros equipamentos comumente compartilhados com outros aquários ou pelo uso de uma fonte de água contaminada. Após sua introdução, podem chegar de forma despercebida e passar muito tempo sem manifestar sintomas ou causar infecções, onde peixes com condições imunológicas favoráveis conseguem controlar a população dos parasitas em um nível aceitável.

A contaminação geralmente ocorre em momentos de estresse, em que a resistência do peixe é reduzida e alguns parasitas se beneficiam desta condição do sistema imunológico, para se desenvolverem e se reproduzirem comprometendo assim a saúde do peixe. Ao completar seu ciclo de vida em sistemas aquáticos abertos, os parasitas saem do corpo do hospedeiro para infectar novos indivíduos. Em um sistema fechado, como um aquário, as formas infectantes acabam contaminando o mesmo indivíduo, aumentando as chances de infecções.

A exposição a agentes estressores pode levar a liberação de cortisol e outros hormônios do estresse, assim como ao uso de energia fisiológica para manter a homeostase, resultando em uma subsequente imunossupressão. Estressores comumente associados a essas doenças incluem baixa qualidade da água (oscilação de temperatura, pH incompatível, excesso de compostos nitrogenados, baixo teor de oxigênio dissolvido), má alimentação, superlotação, intimidação por peixes maiores, manuseio e transporte.

Os sintomas das infecções dependem de cada parasita e podem variar desde sinais externos como manchas e pontos espalhados pelo corpo, fezes gelatinosas, feridas e vermelhidão, até manifestações de comportamento, como natação agitada ou irregular, tremores e coceira. O diagnóstico de parasitas pode ser realizado por meio de amostras citopatológicas coletadas pela raspagem de áreas infectadas, biópsia de brânquias, amostras fecais e por observação direta (parasitas macroscópicos). Avaliação de esfregaço sanguíneo, histopatologia e biópsia de órgãos também são técnicas diagnósticas ocasionalmente utilizadas.

Alguns tipos de infecções parasitárias são de fácil tratamento, a exemplo do ictio, porém, por desinformação ou negligência podem levar os peixes a morte, enquanto outros são de difícil tratamento (buraco-na-cabeça). Ainda, muitas vezes, os parasitas podem dizimar um aquário inteiro em um curto espaço de tempo (doença-do-veludo). O tratamento pode envolver o uso de medicamentos ou métodos alternativos, alguns podem ser tratados em aquário hospital e outros devem ser tratados no aquário principal. Muitas vezes faz-se necessário também o uso de fungicidas e bactericidas associados, pois as lesões deixadas por parasitas facilitam infecções secundárias por outros agentes patológicos. É preciso ter cuidado no uso de medicamentos, devido à hipersensibilidade apresentada por alguns peixes perante alguns componentes (sulfato de cobre) e por sua ação negativa sobre as colônias de bactérias benéficas.

Caso note algum comportamento estranho ou manchas, o recomendado é buscar o auxílio de um médico veterinário especializado em peixes. A avaliação de um especialista é essencial, porque além de diagnosticar a doença, será indicado o correto tratamento desta. Outro ponto importante é verificar com frequência se todos os parâmetros de qualidade da água (pH, temperatura, amônia, nitrito e oxigênio dissolvido) estão de acordo com os níveis ideais para as espécies.

Publicado na Revista VetShare - nº 67 - Julho 2020
Autor: Anderson Kassner Filho, Biólogo
Colaboradores: Eva Schneider, Graduanda em Medicina Veterinária e Max Ternero Cangani, Mestre em Microbiologia Agropecuária, Doutor em Zootecnia

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