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aquário: doenças e parasitoses

aquário: doenças e parasitoses

by dr fala Dr. Fala

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O aquário é um ecossistema que funciona graças a um delicado equilíbrio entre sua população e parâmetros físico-químicos da água. Desta forma, para manter o ambiente harmônico e saudável, é importante que as peças que compõem este quebra-cabeça estejam muito bem encaixadas. Caso contrário, poderão surgir problemas que, quando não resolvidos a tempo, culminarão em adoecimento do cardume. Muitas vezes, a origem das doenças e parasitoses que acometem os peixes é uma causa indireta, ou seja, são fatores como a má qualidade da água, estresse, alimentação inadequada ou superlotação. Estes fatores são os gatilhos primordiais para desencadear uma rápida proliferação de organismos indesejáveis, aumentando drasticamente a taxa de mortalidade no aquário.

Existe também uma causa direta e potencialmente perigosa para o desenvolvimento de parasitas em um aquário: a introdução de novos espécimes sem ter passado um período de quarentena ou desinfecção. A falta do procedimento de quarentena é um motivo comum para a ocorrência de surtos de doenças e parasitoses, que por vezes se manifestam somente após duas ou três semanas da chegada dos novos exemplares.

Antes de introduzir novos peixes, o ideal é mantê-los em um aquário isolado para evitar que disseminem algum tipo de organismo que possa infiltrar e comprometer a saúde e equilíbrio do ambiente aquático já estabelecido. As plantas são consideradas importantes veículos de transmissão de patógenos e também precisam passar por um manejo sanitário. Quando não desinfetadas, podem levar organismos que vão desde moluscos, que podem comprometer a aparência do aquário, até agentes etiológicos mais agressivos como parasitas, vírus, fungos, bactérias e protozoários que podem dizimar a população presente.

Uma ação profilática bastante eficiente é a utilização do Labcon Clean para desinfecção de peixes e plantas, evitando assim a introdução de organismos patogênicos e os indesejáveis caramujos no aquário. O ponto crucial para ter sucesso no combate às doenças e parasitoses já instaladas, é identificar o quanto antes se um ou mais peixes apresentam sintomas como falta de apetite, manchas e pontos espalhados pelo corpo, descoloração, fezes gelatinosas, feridas e vermelhidão, até manifestações comportamentais como natação agitada ou irregular, tremores e coceira. É importante observar também se há presença de estruturas estranhas ao longo do corpo do peixe, pois existem parasitas que se alojam na parte externa do organismo (ectoparasitas), incluindo nadadeiras, brânquias, boca e pele. Há também um grupo de parasitas classificados como endoparasitas, ou seja, são organismos que habitam e se desenvolvem em estruturas internas dos peixes como tecidos, sangue e órgãos, incluindo o trato gastrointestinal.

Outro ponto importante para aquaristas e criadores é conhecer a forma de transmissão e a diferença entre os ciclos de vida dos parasitas, pois alguns são transmitidos diretamente de peixe para peixe (ciclo de vida direto ou monoxênico), como é o caso do protozoário ciliado Ichthyophthirius multifiliis, popularmente conhecido como Ictio ou doença dos pontos brancos. Este parasita libera estruturas reprodutivas que se desprendem do hospedeiro, evoluem para estágios contaminantes, as quais nadam à procura de um novo organismo para completar seu ciclo biológico e é nesta fase de vida livre que podem ser encontrados na água ou substrato do aquário.

Já outros parasitas apresentam ciclos de vida mais complexos, envolvendo dois ou mais hospedeiros para atingir a fase adulta (ciclo de vida indireto ou heteroxênico), como é o caso da grande maioria dos gastrointestinais. Embora não sejam adotados por todos os aquaristas, os procedimentos como a desinfecção de plantas e quarentena de peixes, associados a uma alimentação balanceada e monitoramento constante dos parâmetros de qualidade da água (pH, temperatura, amônia, nitrito e oxigênio dissolvido), contribuem para minimizar o surgimento de doenças e parasitoses.

Caso note algum comportamento estranho ou manchas atípicas, é fundamental buscar o auxílio de um médico veterinário, que além de diagnosticar a doença, indicará o correto tratamento. Cuidar da saúde dos peixes é uma atitude de quem ama o hobby e respeita a natureza.

Autor: Max Ternero Cangani, Mestre em Microbiologia Agropecuária, Doutor em Zootecnia
Colaboradores: Carlos Augusto Nicolino - Mestre e Doutor em Patologia Veterinária e Eva Schneider, Graduanda em Medicina Veterinária

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